CONSELHO DAS AVÓS NA CÚPULA DOS POVOS

“A CÚPULA DOS POVOS Em pleno trânsito do solstício de inverno de 2012, a Cúpula dos Povos foi um acontecimento que considero significativo e marcante no processo da mudança do tempo. No momento em que a Organização das Nações Unidas se mobilizou no sentido de realizar um evento internacional que reunisse os chefes de Estado e os representantes do poder econômico do mundo com o propósito de discutir Desenvolvimento Sustentável, traçando metas e firmando compromissos em torno da situação do planeta Terra – e esta iniciativa não incluiu uma representação significativa dos povos neste processo – o resultado desta iniciativa foi inócuo e vazio.

Como firmar compromissos a benefício do planeta se as representações ali reunidas e imponderadas estavam todas defendendo interesses próprios e privados de minorias? A Cúpula dos Povos representou a confluência das mais diversas representações e expressões dos povos do planeta, que vieram marcar presença e soltar suas vozes, somar esperanças, buscar alianças. Nunca se viu tanta gente tão diversa e de tantas direções do mundo, assim reunidas Se nos perguntamos quais foram os resultados deste singular acontecimento, podemos dizer que ainda é quase cedo para poder realmente dimensioná-los. Aparentemente o evento teve seu lado caótico e desorganizado, até mesmo incoerente, já que sua estrutura não era quase nada ecológica e ainda pouco sustentável.

Porém, além das aparências, estava esta ação conjunta, esta grande mobilização da diversidade humana do mundo em busca de uma aliança em todos os níveis, por soluções compartilhadas para a crise planetária. A significativa presença dos povos originais com suas culturas, sua experiência, suas lutas, foi um destaque. A constatação de que o documento oficial da Rio+20 não tinha nada que ver com o anseio dos povos foi um alerta geral. Este Alerta Geral é uma semente plantada em cada consciência, em cada coração. A QUEM DEVEMOS REIVINDICAR ALGUMA COISA, SENÃO A NÓS MESMOS?

Ficou este sentido de responsabilidade, este sentimento de urgência, esta tendência à ação compartilhada. Agora chegou a hora. Todos precisam manifestar sua consciência através da ação solidária. Existe muita coisa já sendo feita no mundo, muitas iniciativas avançadas em termos de economia solidária, sistemas de transição, preservação de sementes, modos tradicionais e lugares sagrados, pontos de força da natureza. Existe muita força feminina se levantando na apresentação de um novo paradigma. Existe muita juventude na busca, na vontade de somar, de galgar. O momento é de assimilar a experiência e ir rapidamente , embora a pequenos passos, se lançando à ação. Quais são as ações principais? UNIR, REUNIR, COMPARTILHAR, ORGANIZAR AÇÕES CONJUNTAS DE TODO TIPO, PLANTAR MUITO, CULTIVAR SEMENTES BOAS, APROVEITAR AS INICIATIVAS JÁ EXISTENTES, REFORÇÁ-LAS E ENRIQUECÊ- LAS, SOMAR A ESPIRITUALIDADE DOS POVOS, CELEBRAR, SONHAR JUNTOS. Não esmorecer no movimento de REUNIR…dar continuidade, nos organizar.

Importante dizer que nesta busca de afirmar o Novo Tempo e se livrar do que não serve mais, as culturas dos Povos Originais, seus modos de ser, acenam como uma referência fundamental, um resgate das instruções originais que a humanidade recebeu como senhas de continuidade e sucesso no seu caminhar através dos tempos. Integração com a Natureza, Responsabilidade com a Vida, Economia Solidária, Cultivo da Alegria e Bem- estar, Consagração.”

Maria Alice Campos Freire

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