“Hoje vivemos num mundo esquecido, cheio de ilusões e sem sentido. Tanta guerra,tanto desespero! Enquanto isso, toda a magnificência da Criação nos traz conforto e paz. Contém os elementos dos quais fomos criados e que nos tornam irmãos danatureza. Possui as quatro direções que nos guiam.

 Tão simples e linda, inspira nossa jornada aqui nos dias de hoje. E apesar de toda a guerra, um vestígio de paz expande dentro de nós, uma mensagem que vem dos nossos ancestrais, nossos avós, bisavôs, tataravôs, que nos inspiram com sua coragem e nos protegem de todo o esquecimento.

 Através do tempo, profecias foram ditas que no momento que a transmutação começasse, as mulheres estariam a frente desde processo. E aqui estamos nós,trazendo nossa semente. “

 Maria Alice Campos Freire-Mapiá, Brasil Amazônia

 A avó Maria Alice Campos Freire nasceu no Brasil. Ela recebeu o nome de sua avó paterna a quem muitos consideravam louca porque ela tinha problemas de memória e parecia viver em outro mundo. Maria Alice sentia-se ligada a sua avó, porque ela também se sentia mais conectada com os Seres Estelares do que com a vida na Terra. “Eu não conseguia me encaixar nas estruturas e me sentia muito longe desta realidade.”, disse ela.

 Quando ela cresceu, o Brasil passou por muita violência e perseguição por causa de uma ditadura militar. Aos 17 anos, Maria Alice foi presa e torturada. Refugiou-se no Chile, onde um golpe de Estado derrubou o governo legítimo do povo. Mais uma vês , Maria Alice, então grávida,  foi presa e sofreu maus tratos, tendo sido refugiada na Suíça, onde sua primeira filha nasceu.

 A avó Maria Alice voltou ao Brasil depois de receber anistia. Novas portas se abriram para ela. Ela foi iniciada na Umbanda, uma religião brasileira com base em ritos africanos, brasileiros, indígenas e tradições cristãs. Em um ritual, ela teve uma visão com um mensageiro chamado Mestre Irineu. Mestre Irineu era o guardião espiritual do Santo Daime, um chá sacramental usado apenas durante as cerimônias da religião do Santo Daime. Quando bebeu o Santo Daime pela primeira vez, decidiu seguir o caminho que esta bebida lhe indicou, e terminou indo viver na Amazônia. Ela também percebeu que seu sofrimento passado ajudou a abrir a sua espiritualidade.

 Na Amazônia, a avó Maria Alice conheceu o Padrinho Sebastião, que a chamou em espírito. Ele era um discípulo do Mestre Irineu que liderava uma comunidade espiritual no interior da Floresta Amazônica. A comunidade utilizava plantas sagradas da floresta como medicina tradicional.

Pessoas de todo o mundo vieram para conhecer o padrinho Sebastião e tomar o Santo Daime, aprendendo sobre suas vidas passadas e compromissos atuais. “Nossa comunidade é dedicada a trazer felicidade para as pessoas, para mostrar que essa alegria é possível”, diz a avó Maria Alice. Também faz parte da comunidade do Santo Daime a avó Clara. Juntas, elas têm viajado o mundo para ajudar outras comunidades e igrejas em seus trabalhos de cura.

 Hoje, a avó Maria Alice é uma mestre das cerimônias de Umbanda da igreja do Santo Daime, no Céu do Mapiá. Ela também é curadora, e fundadora do Centro de Medicina da Floresta e trabalha ativamente na preservação da floresta. Dirigindo-se ao Conselho das avós pela primeira vez, a avó Maria Alice falou desse momento especial:

 “Eu acredito que todos nós fomos guiados para estar aqui … Não podemos dizer que somos dessa raça ou de outra. Nós todos fomos diferentes em nossas muitas vidas, e agora nossos caminhos se cruzam para que possamos nos ligar a partir de muitos credos e culturas diferentes. Mas todos nós somos parte da mesma chama da vida. “