A ÁGUA NAS TRADIÇÕES CULTURAIS BRASILEIRAS

Avó Valdeci Teixeira Barbosa, Mãe Val

Mãe de Santo, Bahia

“Nós viemos da água, da placenta de nossas mães. Nós precisamos da água para beber, para o banho, para os fundamentos de nossa tradição. Todos os fundamentos são feitos por meio da água. A água é a luz da nossa vida. A nossa ancestralidade deixou conosco os saberes sobre a riqueza que é a água para sustentar as nossas vidas e nossos caminhos”.

 

Avó Vilinta Kaiomalo Taukane

Anciã Indígena Bakairi, MT

“A água é muito valiosa, faz tudo para nós. Na nossa tradição, na minha memória, estão muito presentes as histórias em que os índios chamam água, chamam chuva. Quando vai chover, nós indígenas, nós cantamos também. Sem chuva nós não podemos ficar, assim como o fogo, os animais. Por isso não podemos poluir as águas, nós não temos mais tanta água em abundância”.

 

Avó Suely Carvalho

Parteira, Pernambuco

“Meu prazer de ser parteira está na possibilidade de ensinar às mães e pais a cuidarem de suas crianças. Toda criança que chega vem da luz, traz nova esperança, e os pais devem cuidar dessas crianças. A família é sagrada, o amor de mãe e pai são sagrados.

Mesmo contra a vontade de muitas pessoas que nos discriminam, nós, parteiras tradicionais, continuamos existindo. Nós tivemos uma inquisição que dizimou milhões de parteiras na Europa e no Ocidente. Nós transmitimos o nosso saber por meio da oralidade. Eu me sinto honrada por ser herdeira das minhas antepassadas, em que muitas são parteiras. Eu tenho uma filha que é parteira e uma neta de 20 anos que é aprendiz de parteira. É assim que nós passamos a nossa tradição, de avó pra neta, de mãe pra filha. Nas cidades grandes, esse é um ofício que não é valorizado, e as mulheres que tem o dom de ser parteiras não descobrem esse dom.

Nós viemos da água. O ventre materno é sagrado porque todo ser humano passou pelo ventre de uma mulher. Portanto, todas as pessoas devem respeitar isso. A mulher precisa respeitar o seu próprio vente. Se o trabalho de parto for bem feito, sem intervenções desnecessárias, a criança pode nascer dentro da bolsa das águas. É lamentável que os médicos rompem as bolsas das águas, seja em partos normais seja em partos cesáreos.

A mulher tem o corpo perfeito para a gestação e para o parto. Os partos em hospitais não são saudáveis, as pessoas devem nascer e morrer junto com seus familiares. Eu desejo que as águas do parto sejam respeitadas”.

 

Avó Catarina Delfina dos Santos

Indígena Tupi-Guarani, São Paulo

“Eu agradeço muito a Deus por estar aqui falando sobre a água que é muito importante para a nossa vida. É da água que nós vivemos, a água é o leite materno da Terra. Eu fiquei muito triste quando uma parente disse que na Terra dela não tem água. Nós indígenas vamos rezar muito para que a água surja na terra dela. Os tupis correram atrás da água até que encontraram uma gota d’água, nós que fomos os povos mais massacrados, sobrevivemos gota a gota até agora.”

Avó Agustinha Pereira

Indígena Guarani, São Paulo

“A criança quando nasce, dão água para ela. Se dão a água para ela, não fica doente e se fica doente, sempre é curada com água”.

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