“TODOS TEMOS DIREITO”

“Bom dia para todos.

O importante é que nós estamos reunidos aqui nesse grande acontecimento, que todos nós somos humanos e que somos guardiões da água, da natureza e da mãe terra, que também é humana. O governo pensa que somos selvagens, mas aqui todos sabem que nós somos humanos. Todos temos direito de viver, todos temos direito de cantar, todos temos direito de usar pluma, todos temos direito a tudo. Resumindo, temos direito ao silêncio também. A nossa mãe tem seu sangue, que é a água.  O governo quer cortar as mãos da nossa mãe, deixar vazar e perder todo esse sangue – a água.

 As mulheres são o símbolo de amor. Qual mãe deseja mal para os seus filhos?  O amor da mãe é universal, não distingue cor, se é branco, preto, azul, roxo, todos têm o mesmo direito. Assim cuida a Mãe Terra dos seus filhos. As sementes que saem dela são regadas pela água. Todos são os fluidos da mãe natureza, assim como o sangue flui no nosso corpo e nosso corpo colhe esse sangue, a terra também colhe a água e faz a comunicação na terra. Tudo recorre à água, como o sangue que corre no nosso corpo e assim se faz toda comunicação da natureza. É o útero materno, de onde nós nascemos, nos alimentamos e de novo retornamos.

Carmem Torres – Povo Indígena Arhuacos,  Serra Nevada, Colômbia

É isso”.

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